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28.7.12

dia 4: viagem a Marrakech, 29/12/1977

COMENTÁRIO 2012

A viagem a Marrakech nos fez "cair na real".  O "encantamento das 1001 Noites" logo se revelou "não ser bem assim", era muito mais complexo.  Vindos de um país de terceiro mundo isso não nos surpreendeu tanto.  Mas ficamos assustados quando um grupo de jovens "guias locais" insistiram para nos levar para um local ermo e afastado e não aceitavam "não" como resposta.  Ou quando algumas mulheres me olhavam em sinal de visível reprovação por eu estar usando jeans, sendo eu uma moça com cara de árabe.  Lembro também de ver muita gente tomando chá de menta e ficarmos fascinados ao ver os garçons servirem-no com tanta habilidade.  São lembranças vívidas que o diário evoca, mas não registra. Anos mais tarde, eu pude entender este estranhamento através do conceito de "orientalismo" de Edward Said e as expectativas de "exotismo" do "mundo oriental"...


O TEXTO ORIGINAL 1977

Saímos hoje cedo (às 6h45) de ônibus para Marrakech. A viagem é muito interessante. A princípio, cortamos uma imensa planície verde, que, conforme avançamos, vai-se enchendo de coníferas e algumas elevações.

Chegamos a Marrakech às 11 horas e, infelizmente, chuviscava, mas deu para andarmos bem.A cidade é realmente exótica e pitoresca, sendo que algumas vezes, alguns lances chocam. Sentada a uma mesa num restaurante, eu podia ver a cada instante o cenário que muda bruscamente, mostrando fortes contrastes, como, por exemplo, uma linda Mercedes esporte, passando por um senhor carregando cestas, como um burro de carga.

Vimos a Koutoubyia, a mdersa, andamos pelos souks, a mesquita de Ibn Yusuf, etc.

Na volta, o visual do por do sol e os pastores levando seu rebanho de volta era lindo. No ônibus tocava-se música árabe e, para nossa supresa, "The Missing Jewel". Chegamos, jantamos e vamos dormir.

* um curso de inglês que me meu pai ouvia pela radio mec