ATENÇÃO

Comece pela APRESENTAÇÃO! ---->

29.7.12

dia 1: a bordo do 707 da Varig, 26/12/1977

COMENTÁRIO (2012)
Nossas viagens começavam no dia 26/12, porque as tarifas de avião voltavam a baixar neste dia.  Muitos anos mais tarde, eu aprenderia que na Australia 26 de dezembro era chamado de “boxing day”, por ser o dia de se desfazer as caixas dos presentes de Natal … Mas naquele dia de 1977, nós éramos 4 feixes de pura alegria:  estávamos viajando de avião para a Europa, mais uma vez … De um lado do corredor, sentávamos nós 3:  Fernanda, André e eu.  Uma escadinha de 11, 13 e 15 anos, respectivamente,  E do outro lado, se sentava nossa mãe, no assento mais próximo ao corredor.  André ficava sempre à janela, porque sua paixão por aviões era maior que as próprias aeronaves.  E sobre os boeings 707 ele sabia tudo:  modelos das turbinas, tipo de flaps, rodas, tudo.  Apesar disso, ficávamos os 3 igualmente em êxtase quando o avião dava sua última corrida antes de decolar, aquela a que chamávamos de “corrida braba” e que nos fazia prender a respiração pelo excesso de excitação até o momento em que o avião se soltava do chão … e começava a planar, hesitante no ar … e lá embaixo, as luzes da cidade diminuíam e nós “dávamos tchau” pela janela para o papai que tinha ficado em terra.

O TEXTO ORIGINAL
Até agora, tudo ótimo. Jantamos muito bem – a comida estava deliciosa.  O serviço da Varig é realmente excelente.  Estou com sono.  Boa noite!


28.7.12

dia 4: viagem a Marrakech, 29/12/1977

COMENTÁRIO 2012

A viagem a Marrakech nos fez "cair na real".  O "encantamento das 1001 Noites" logo se revelou "não ser bem assim", era muito mais complexo.  Vindos de um país de terceiro mundo isso não nos surpreendeu tanto.  Mas ficamos assustados quando um grupo de jovens "guias locais" insistiram para nos levar para um local ermo e afastado e não aceitavam "não" como resposta.  Ou quando algumas mulheres me olhavam em sinal de visível reprovação por eu estar usando jeans, sendo eu uma moça com cara de árabe.  Lembro também de ver muita gente tomando chá de menta e ficarmos fascinados ao ver os garçons servirem-no com tanta habilidade.  São lembranças vívidas que o diário evoca, mas não registra. Anos mais tarde, eu pude entender este estranhamento através do conceito de "orientalismo" de Edward Said e as expectativas de "exotismo" do "mundo oriental"...


O TEXTO ORIGINAL 1977

Saímos hoje cedo (às 6h45) de ônibus para Marrakech. A viagem é muito interessante. A princípio, cortamos uma imensa planície verde, que, conforme avançamos, vai-se enchendo de coníferas e algumas elevações.

Chegamos a Marrakech às 11 horas e, infelizmente, chuviscava, mas deu para andarmos bem.A cidade é realmente exótica e pitoresca, sendo que algumas vezes, alguns lances chocam. Sentada a uma mesa num restaurante, eu podia ver a cada instante o cenário que muda bruscamente, mostrando fortes contrastes, como, por exemplo, uma linda Mercedes esporte, passando por um senhor carregando cestas, como um burro de carga.

Vimos a Koutoubyia, a mdersa, andamos pelos souks, a mesquita de Ibn Yusuf, etc.

Na volta, o visual do por do sol e os pastores levando seu rebanho de volta era lindo. No ônibus tocava-se música árabe e, para nossa supresa, "The Missing Jewel". Chegamos, jantamos e vamos dormir.

* um curso de inglês que me meu pai ouvia pela radio mec












dia 3: Casablanca, 28/12/1977

TEXTO ORIGINAL

Dormimos direto de ontem para hoje (estávamos exaustos), acordamos às 8horas.  Tomamos café e saímos para marcar o vôo para Madrid e comprar passagem para Marrakech.  Almoçamos aqui perto, no Snack Bar Excelsior.  De tarde fomos à Medina e lá compramos um pufe, uma bolsa e o tapete, ganhando como brinde 4 porta-moedas.  Também compramos os postais.











dia 2: Casablanca, 27/12/1977

COMENTÁRIO 2012

Nosso vôo da Varig saiu do Rio para Lisboa, mas nosso destino era Casablanca, de modo que trocamos de avião para um da "Royal Air Maroc".  Graças a uma colaboração recente entre estas duas companhias, o sonho de conhecer o mundo árabe, pelo qual éramos fascinados, se tornava mais tangível.  Mas ficamos decepcionados quando só nos deparamos com  pessoas vestidas à ocidental e falando francês e português dentro do avião.  Lembro também da aeromoça, muito gentil, de repente ficar apavorada e começar a recolher os pratos, antes de terminarmos a refeição, porque já estava na hora de aterisar.

TEXTO ORIGINAL 1977

Chegamos bem em Lisboa e de lá, não houve problema para chegarmos aqui.  Tivemos muita sorte, pois um casal de artistas brasileiros (Iraci e Finatti) estão conosco.  Nos alojamos no Hotel Excelsior* que é bem razoável.  Até agora gastamos DH 67= U$28.
*2 rue Allal Ben Abdallah